quinta-feira, 5 de junho de 2008

Absolvendo o amor

ABSOLVENDO O AMOR

(...)
Uma mulher namora um príncipe encantado por dois meses e então descobre que ele não é príncipe porcaria nenhuma, e sim um bobalhão que não soube equalizar as diferenças e sumiu no mundo sem se despedir. Mais um, segundo ela. São todos assim, os homens. Ela resmunga que não dá mesmo pra acreditar no amor.
Peraí. Por que o amor tem que levar a culpa por esses desencontros? Que a princesa não acredite mais no Pedro, no Paulo ou no Pafúncio, vá lá, mas responsabilizar o amor pelo fim de uma relação e não querer mais se envolver com ninguém é preguiça de continuar vivendo. Não foi o amor que caiu fora. Aliás, ele talvez nem tenha entrado nessa história. Quando entra, é para contribuir, para apimentar, para dar sabor, para fazer feliz. Se o relacionamento não dá certo, ou dá certo por um determinado tempo e depois acaba, o amor merece um aperto de mãos, um muito obrigado e até a próxima. Fique com o cartão dele, com os contatos todos, você vai chamá-lo de novo, vai precisar de seus serviços, esteja certa. Dispense namorados, mas não dispense o amor, porque ele estará sempre a postos. Viver sem amor para sempre é azar ou incompetência. Mas não pode ser uma escolha, nunca. Escolher não amar é suicídio simbólico, é não ter razão para existir. Não me venha falar de amigos e filhos e cachorros, essas compensações amorosas sofisticadas, mas diferentes. Estamos falando de homens e mulheres que não se conhecem até um dia, uau. Acontece.(...)"

Martha Medeiros - Jornal O Globo, Revista O Globo pág.:18 - 13/02/08

2 comentários:

Luciano disse...

De amor e outros demônios, ou da falta deste né?

Um abraço Gabi. Valeu por teres colocado o meu link na tua pg. Aproveito o ensejo para pedir a tua autorização e fazer o mesmo em relação ao teu blog, pode ser?

Anônimo disse...

Pois é. Como um dia escreveram Baden Powell e Vinícius de Moraes:
"Ai, tem dó
Quem viveu junto não pode nunca viver só".
Tudo jóia comigo. Espero que contigo tb.